ARMA DO FUTURO SÓ DISPARA COM O DONO LEGÍTIMO.



Modelo de arma com espaço para bobina e micro solenoide que fazem travamento

                                                                                
No Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, o pós-doutorando Mário Gazziro desenvolve o projeto de uma arma de fogo que só poderá ser ativada pelo seu proprietário. Em agosto do ano passado, Gazziro, que é professor do Instituto de Ciências Matemáticas e da computação (ICMC) de São Carlos, implantou um pequeno chip em sua mão esquerda para criar um modo mais eficiente e seguro de acionamento eletrônico, por meio da conexão com peças que mantém a arma travada.
O projeto para criar a chamada “arma eletrônica” tomou forma quando Mário passou a trabalhar em uma empresa de consultoria que fabricava chips para animais silvestres. Após ganhar o menor chip que a empresa revendia (9 por 1,2 milímetros), ele realizou o implante com a ajuda de uma médica. “O chip vem dentro de um vidro, revestido por um material chamado “parylene C’, não rejeitado pelo organismo de animais e humanos. O local do implante — abaixo da pele, logo acima do músculo adutor do dedo mínimo — foi escolhido  já se pensando em sua viabilidade para arma eletrônica”, conta.
O chip implantado conecta-se eletronicamente com uma bobina, montada no interior da arma. O chip será a única ferramenta capaz de destravar tal bobina, possibilitando o disparo imediato. Ou seja, só o portador do chip será capaz de destravá-la. Além do chip, Gazziro e outros colaboradores, entre eles o especialista em eletrônica do IFSC, Lírio Onofre de Almeida, projetaram uma arma de brinquedo, do mesmo modelo de uma pistola Colt, onde, em seu interior, há espaço para inserir uma bobina e uma micro solenoide, peças fundamentais para destravar a arma, eletronicamente.
O pesquisador afirma que nos Estados Unidos, o acesso a essa tecnologia não só já existe como é, inclusive, liberado pela Food and Drug Administration (FDA), desde 2004. “Lá, a inserção do chip é feita entre o polegar e o indicador, onde há menos terminações nervosas. Em nosso caso, esse local para o implante não é válido, pois o chip ficaria muito distante da bobina da arma, não possibilitando seu destrave”, explica. “No laboratório, projetamos uma bobina e, depois disso, definimos a melhor localização  para o chip ser inserido, no corpo”.

Segurança

De acordo com Gazziro, a arma eletrônica só será capaz de efetuar o disparo pelas mãos do dono legítimo. Quanto à eficácia, depois de identificar o chip, leva-se, em média, 5 milionésimos de segundo para que todo circuito seja acionado e ela seja destravada. “Como todo circuito eletrônico, ela deverá ser carregada para funcionar. No momento, é estudada a montagem de um circuito que tenha capacidade para manter o funcionamento da arma por, no mínimo, uma semana, sem recarregá-la”, planeja.

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Radiografia indicando local da implantação do chip (assinalado com um círculo)
Ele conta que outras questões também são estudadas, para aprimorar a segurança do novo equipamento. “O intuito final do projeto é uma arma que, no momento do disparo, já registre local, horário e autor do disparo, inclusive com orientação do tiro, informação que poderá ser fornecida se a arma possuir um giroscópio”, conta.
No exterior, uma publicação com detalhes do projeto foi divulgada no “European Conference of Control”. No Brasil, além de alguns pesquisadores do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (LAPREV) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais já convidaram Mário para testes mais concretos. “No final do ano, pretendo ir à Belo Horizonte para fazer testes incluídos à parte mecânica da arma, já que a eletrônica, relacionada ao chip, já funciona perfeitamente”, diz Gazziro.
Em relação à definitiva concretização do projeto, ou seja, a comercialização das armas eletrônicas, o pesquisador aponta que uma etapa pode levar algum tempo para ser ultrapassada. “A última fase envolverá a esfera política, para aprovação de um projeto de lei que autorize o uso desse tipo de arma, levando-se em conta todas as suas consequências”, observa.
(Imagens: Assessoria de Comunicação do IFSC)

TESTES DA PARTE MECÂNICA DO DISPOSITIVO DEVEM SER FEITOS NO FINAL DO ANO, COM APOIO DA POLÍCIA CIVIL DE BELO HORIZONTE. A CHEGADA DA TECNOLOGIA AO MERCADO AINDA DEVE DEMORAR, SEGUNDO O PESQUISADOR, UMA VEZ QUE “A ÚLTIMA FASE DA PESQUISA ENVOLVERÁ A ESFERA POLÍTICA, PARA APROVAÇÃO DE UM PROJETO DE LEI QUE AUTORIZE O USO DESSE TIPO DE ARMA, LEVANDO-SE EM CONTA TODAS AS SUAS CONSEQUÊNCIAS”.

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