POR DENTRO DO COLETES À PROVA DE BALAS

COLETES E CAPAS BALÍSTICAS

MATERIAL DE APOIO
Há três anos no Brasil o colete balístico passou a ser considerado um EPI- Equipamento de Proteção Individual e garantindo por lei aos vigilantes que utilizam arma de fogo em serviço. Alguns nem imaginam trabalhando sem, mas será que todos sabem como funciona esses sistema de proteção?
Desde os primórdios, o ser humano busca criar mecanismo que o proteja de seus inimigos. O primeiro equipamento a ser utilizado com essa finalidade, provavelmente tenha sido o escudo, peça que remota o período das cavernas e que ainda é utilizada em situação de combate. Os atuais coletes balísticos também descendem de estruturas construídas na antiquidade: as armaduras medievais. Estas eram usadas por soldados, principalmente em batalhas onde havia o enfrentamento corporal com espadas, facas, porretes e até a catapulta que lançava pedras maiores no território inimigo.
Os componentes das primeiras armaduras baseavam-se de capacetes e blusas elaboradas de minúsculas correntes metálicas, conhecidas como malhas. Estas foram sendo aperfeiçoadas até atingirem uma espessura considerável, capaz de deter as armas, cada vez mais sofisticadas. Entretanto, o peso desses equipamentos, elaborado de ferro, bronze e cobre, chegava a alcançar 50 Kg, levando ao esgotamento do guerreiro e fazendo com que ele permanecesse praticamente imóvel na maior parte do tempo. Além disso, o advento das flechas de pontas triangulares ou quadrangulares, capazes de penetrar facilmente essa camada protetora, fez com que as armaduras caíssem em desuso, já que os tornava alvos fáceis dos arqueiros.
No decorrer dos séculos, o homem continou a buscar acessórios de proteção mais eficazes. Mas no período em que novos sistemas de disparo foram criados, inclusive com a manipulação da pólvora branca, esse conceito de segurança individual foi relativamente desconsiderado. O processo só foi retomado, anos após as 1º e 2º Guerra Mundial, quando, praticamente, dava-se o ínicio da Guerra da Coréia. Foi então que ressurgiu a idéia da armadura, mas desta vez, aperfeiçoada a partir do emprego de novos aços, ligas metálicas e fibras plásticas que podiam deter projéteis de baixa velocidade. Nesse período, também foram inventadas as chamadas “flak jackets” ou “flak vests” pesados jaquetões que possuíam como matéria prima o nylon balístico. Esse acessório protegia o soldado dos estilhaços de granadas e fragmentos de metralhadoras. E mesmo que não fosse capaz de evitar efeitos mortais provocados por armas automáticas disparadas à pequena e média distância, constatou-se que o uso da “ flack jackets” reduziu consideravelmente o número de baixas durante a Guerra do Vietnã. No entanto, com o avanço da indústria bélica, novas armas mais potentes e com maior capacidade de fogo foram criadas, fazendo-se necessário equipamentos de proteção ainda mais sofisticados.
Os atuais modelos de colete à prova de balas, são mais leves e mais discretos e seu destino não se restringe apenas aos militares. É muito comum empresários serem adeptos ao uso desse artifício para se protegerem das ações dos criminosos, além, obviamente, dos policiais e dos vigilantes que são profissionais em constante exposição ao perigo e, portanto, o uso é obrigatório durante o serviço.
O MATERIAL
Mas esse gama de usuários só pode existir graças a um material que revolucionou a confecção dos coletes balísticos: a aramida. Esta fibra sintética, que provém do petroléo, foi desenvolvida no final da década de 60 pela empresa de Ciências Dupont, que anos depois relançou o produto sob a marca Kevlar.
Apesar de, já exostirem outros materiais para a elaboração dos coletes, como por exemplo, o polietieno, a aramida é o grande referencial nesse tipo de confecção. Ela possui grande capacidade de manter a estabilidade em altas temperaturas, chegando à 400º sem sofrer variações, além da surpreendente flexibilidade química. As características da aramida são decorrentes da sua nobre estrutura molecular que possibilita o desenvolvimento de um produto de alto módulo, baixo alongamento e, sobretudo, de grande resistência ao impacto, chegando a sedr cinco vezes mais resistente que o aço por unidade de peso e duas vezes mais que o vidro. Esse material é também muito aproveitado na fabricação de cintos de segurança, cordas, construções náuticas e aeronáuticas, na construção de alguns modelos de raquetes e principalmente no desenvolvimento de equipamentos de segurança, como o colete à prova de balas . O Kevlar, inclusive, foi utilizado no revestimento dos pneus do carro que levou o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, no desfile de posse, no ínicio do ano de 2009. A fibra também é empregada na confecção de jaquetas resistentes a facadas e demais perfuro-cortantes.
No caso específico do colete à prova de balas, são feitas várias camadas da aramida, entrelaçadas umas às outras, para que acolham a bala, achatando sua ponta e distribuindo e a força de impacto por todo o tecido até que esta seja paralisada sem atingir o corpo do indivíduo.
O número de camadas determina o nível de proteção do colete que poder ir de um a quatro, de acordo com as normas criadas pelo National Institute of Justice – NIJ, apresentadas através de um tabela com padrões aceitos mundialmente para a produção do material. Os vigilantes, por exemplo, utilizam coletes fabricados ao nível IIA, e alguns casos, como o daqueles que trabalham na segurança de transporte de valores, o equipamento destinado pode ser o de nível II, capaz de parar projéteis de 357 magnum e de pistolas de 9 mm disparadas a curta distância.
Para certas ocasiões, em que se prevê enfrentar armamentos dos mais pesados, é possível atingir um grau ainda mais elevado de proteção, reforçando o colete com placas rígidas de cerâmica especialmente resistente, ou até mesmo formada por camadas a mais da aramida, chegando a um número mínimo de 178 sobreposições. Entretanto, o uso desse apetrecho é restrito às forças de tarefa especiais e militares, não sendo permitido o uso para a categoria dos profisssionais da segurança privada.
No entanto, todos os coletes balísticos , seguem a uma mesma norma quando trata da deformação máxima que um determinado projétil, disparado a uma certa velocidade, pode causar no indivíduo atingido:44mm. Esse parâmetro assegura que o trauma causado pela munição não venha oferecer riscos de danificar algum orgão vital.
Para que o colete à prova de bala desempenhe corretamente sua função é necessário ficar atento a algumas observações, como por exemplo o tamanho desse equipamento. “E precisa obedecer a constituição física do usuário, pois se for muito pequeno deixará exposto a área do abdômen, além de apenas proteger parcialmente a caixa torácica da pessoa”, explica Paulo Roberto Maia Cortes , proprietário da Stopower umas das principais empresas que confeccionam esse tipo de material aqui no estado do Paraná – Brasil. O colete balístico deverá fazer, preferencialmente a cobertura desses áreas, já que a grande parte dos orgãos de suma importância estão localizados nela. Segundo o Cortes, as mulheres também necessitam de uma confecção direcionada, pois esses quesitos devem atender a anatomia do corpo feminino, que é estruturamente menor.
Seu ajuste ao corpo é outro aspecto relevante, já que, frouxo, o colete torna-se incomodo e, apertado em demasia, pode dificultar a respiração e com isso retardar os reflexos. Mas há um item, de extrema importância, e que muitas vezes passa despercebido pelos adeptos ao uso do colete balístico: o prazo de validade. Entre os fabricantes do colete, há uma certa variação da indicação do período de validade, mas a recomendação do Guia de Seleção e Aplicação de Coletes à Prova de Bala NIJ 100-01 é de 5 anos, no entanto há coletes que ultrapassam a casa dos 8 anos. Na verdade, esse prazo está relacionado com o cuidado que se tem com o produto, pois o mau uso certamente vai diminuir a capacidade de proteção, podendo até anular sua função protetora, por isso, recomenda-se que, a cada 3 anos, sejam feitos testes com o colete, devendo a instituição ou a empresa, enviar uma mostra de cada série de coletes para que se faça uma análise desse material. Esse tipo de ação deve ser tomada principalmente no segmento da segurança privada, onde os profissionais acabam por fazer o rodízio deste equipamento, ação altamente prejudicial ao material e que pode ocasionar danos às fibras do colete. Além disso, a capa que reveste o acessório precisa ter ampla impermeabilidade, pois a umidade também é um agente danificador do material, e cada pessoa tem um suor diferente, por este motivo a capa deve ser individual.
O armazenamento é outro aspecto relevante, pois é um dos principais redutores do tempo de vida útil do colete, que jamais deve ter a parte interna, onde estão contidas as fibras, mergulhadas na água ou expostas ao calor excessivo.
Vale lembrar ainda, que os coletes que já foram alvejados ou que sofreram algum tipo de perfuração, não devem ser mais usados. É necessário que o fabricante avalie os estragos internos para possíveis reparações ou ratificar a inutilização plena do equipamento, o que é mais comum acontecer.
RECICLAGEM

Uma novidade para o setor é que esses coletes que já não podem ser mais usados para a proteção, agora poderão ser reciclados. Esse processo barateia os custos, pois não há o desperdício de material e de quebra contribui com a natureza, que não vai absorver esse montante de resíduos. O aproveitamento será a partir da extração da aramida para produção de polpas de Kevlar. A empresa Dupont, pioneira no reaproveitamento desse tipo de material, afirma que a principal aplicação das polpas será na indústria automotiva, mais especificamento na fabricação de pastilhas de freio. O Kevlar irá substituir o amianto, melhorando o coeficiente de fricção e reduzindo o desgaste do material.
CUIDADOS E ARMAZENAMENTO
Armazenamento:
– Os coletes, quando não utilizados, devem ser preferencialmente pendurados com o auxílio de um cabide, a fim de evitar rugas e deformações em seus painéis, podendo causar perda de proteção;
– Nunca devem ser deixados sobre os bancos da viatura, expostos diretamente ao sol ou em lugares muito úmidos
– Não estique em excesso as correias de velcro, pois isto retirará a sua capacidade de estiramento
– Nunca ser guardado enquanto está úmido em conseqüência de uma lavagem ou da transpiração, a fim de evitar o aparecimento de mofo
Lavagem:
Os fabricantes não só permitem como recomendam que as capas dos coletes sejam lavadas periodicamente, à mão e em água morna, aguardando que sequem à sombra, completamente, antes de serem recolocadas nos painéis.Inspeção visualOs painéis devem ser inspecionados visualmente objetivando identificar qualquer ofensa a sua integridade, não devendo ser utilizados aqueles já atingidos por projéteis antes de prévio contato com o fabricante para que seja providenciado o devido reparo.
RECOMENDAÇÕES

Nenhum tipo de objeto rígido deve ser utilizado por baixo do colete, como jóias, canetas metálicas, crucifixos, etc., pois estes, quando atrás da área do impacto, podem transformar-se em projéteis secundários quando impactados pelos projéteis ditos primários, penetrando no corpo do usuário e causando-lhe sérias lesões. Outro aspecto importante é o correto ajuste do colete ao corpo. Se estiver demasiadamente frouxo torna-se incômodo; se apertado demasiadamente sobre seu peito pode restringir a provisão de ar em seus pulmões e, caso seu corpo não prover oxigênio para o cérebro e músculos durante tensão, simplesmente você perderá grande parte dos reflexos e da velocidade, tão necessárias nos confrontos armados. O ideal é seja mantida uma distância de dois dedos entre seu corpo e o colete, de forma que haja um espaço para o resfriamento do corpo.O tamanho do colete também deve merecer atenção, devendo ser conforme a compleição física do usuário. pois sendo muito grande escavará na garganta quando você sentar-se, ou se demasiado pequeno, não oferecerá a cobertura necessária para o baixo abdômen e não cobrirá as laterais da caixa toráxica corretamente. O colete deve proteger preferencialmente o tórax em detrimento do abdômen, logicamente em razão da localização dos principais órgãos vitais do corpo humano naquele.
Colete Multi Ameaça marca CBC – armas de fogo e objetos cortantes.

Sempre acompanhando as necessidades dos usuários e o desenvolvimento tecnológico mundial, a empresa CBC desenvolveu um colete, único no mundo em sua classe, o Colete Multi Ameaça CBC, que oferece, alem da proteção balística convencional, proteção adicional contra ataques com armas ou objetos perfurantes pontiagudos, coletes antigos era vulnerável a artefatos perfurantes.
Embora já existam no mercado mundial coletes que oferecem proteção contra instrumentos perfurantes ou até mesmo cortantes, nenhum deles oferece proteção simultânea contra disparos de armas de fogo, por isso destinado especificamente a dar proteção às agentes de presídios e outros estabelecimentos correcionais ou até mesmo as policiais de rua, em países onde o uso de armas de fogo por delinqüentes não é habitual. Todavia, existem particularidades, e em nosso país, é bastante freqüente o emprego de armas de fogo por
parte dos criminosos, além de ser comum a introdução dessas armas em estabelecimentos correcionais.
Colte Balístico é uma qualidade conquistada por alguns produtos (coletes), de proteger os seus usuários de disparos feitos por armas de fogo de determinados calibres. O Colete a prova de balas ou colete balístico são artefatos militares ou policiais e que protegem os utilizadores contra projeteis ou destroços militares. O que nem todo cidadão repara, é que o “à prova” deste termo é tão eficiente quanto o “à prova d’água” de certos relógios, ou seja, “À PROVA” NÃO É IMUNE´´. Portanto nunca provoque o cara dizendo “atire aqui no meu peito”, quando o agressor disparar, e verificar o uso da proteção certamente ele não cometerá o mesmo erro novamente. Existem vários tipos de material usado, irei dissertar sobre estes na qualidade de colete, também existem vários níveis de proteção, veja na tabela abaixo:

Fonte: Revista Vigilante em Foco e CBC.
Publicado: http://segurancaprivadadobrasil.blogspot.com

2 Respostas to “POR DENTRO DO COLETES À PROVA DE BALAS”

  1. Algo que é frequentemente negligenciado é que existem coletes distintos destinados aos públicos masculino e feminino. Normalmente, as empresas fornecem às vigilantes do sexo feminino coletes masculinos menores, tamanhos P ou M. O uso do colete masculino por mulheres traz sérios problemas a longo prazo. Como este não possui a curvatura na placa dianteira destinada a acomodar o volume dos seios, as mulheres que fazem uso do colete masculino tem três opções: usar o colete frouxo no corpo (comprometendo a eficiência da proteção balística), usá-lo ajustado suportando o desconforto ou trabalhar com as costas arqueadas para diminuir a pressão nos seios, às custas de adquirir problemas de postura difíceis de serem corrigidos. Portanto, as empresas devem fornecer (e as funcionárias devem exigir) o fornecimento de coletes adequados, específicos para o público feminino.

  2. Exatamente isto que o Erick Tamberb publicou no seu comentário as funcionárias femininas devem solicitar e cobrar de suas empresas coletes de uso feminino, existe realmente uma diferença do colete masculino e feminino, mas o que ocorre é que grande maioria das empresas por medidas de custos compram lotes de coletes balísticos geralmente masculinos e não se importam com os coletes balísticos femininos e por isso fica deste jeito todos utilizam o mesmo material, por as profissionais femininas de segurança se utilizarem coletes solicite e cobrem coletes adequados ao seu tamanho.

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