AS ESTATÍSTICAS DA SEGURANÇA PRIVADA NA AMÉRICA LATINA EM QUESTÃO

SEGURANÇA PRIVADA

A segurança privada está em constante crescimento no Brasil e em toda a América do Sul. Confira um estudo sobre a presença da segurança privada em diversos países da América Latina. Os dados são da ONI – Oni Global Union, uma federação internacional que unifica os sindicatos de trabalhadores do setor de serviços, tais como vigilantes, bancários, empregados em telefonia, limpeza, comércio, entre outros. A UNI – Global Union tem sede em Nion, na Suíça. A Confederação Nacional dos Vigilantes e Prestadores de Serviços (CNTV) está em processo de filiação à entidade.

BRASIL
No Brasil, são 1.100 empresas orgânicas, 2 mil empresas especializadas e 5.800 carros-fortes.
Há 33 mil postos de atendimento bancário atendidos pelo setor de segurança.
Estima-se um número de 1,7 milhões de vigilantes no país, sendo que apenas 450 mil regulamentados.
Ao todo, são 180 mil armas sob o porte de profissionais da segurança privada.
Os principais contratantes diretos são os governos federal, estaduais e municipais (cerca de 65% da demanda).
MÉXICO
Operam no país mais de 26 mil empresas de segurança privada, mas menos de 50% são validadas pela Secretaria de Segurança Pública Federal (SSPF).
A demanda por estes serviços aumentou de 12% para 20%, principalmente na região central e no norte. Estima-se que 80% das empresas operam ilegalmente.
Um estudo da Deloitte descobriu que os executivos do México qualificados desaprovam o ambiente de segurança do país (a pontuação da avaliação foi 38, em uma escala de 1 a 100). Esse assunto é a segunda maior ameaça ao país, depois da recessão econômica.Apenas 108 empresa foram autorizadas pela Secretaria de Segurança Pública para operar como empresas de segurança privada em 2008.
A Prossegur já está no México através da Grumer. Empresas como a inglesa G4S, a sueca Loomis e a Americana Brinks tentam entrar no país a todo custo.
As novas regras mexicanas afirmam que os serviços de segurança privada são auxiliares da segurança pública.
GUATEMALA
Em 2009 foram registradas mais de 3 mil mortes violentas. Os agentes de segurança privada estão entre os mais vulneráveis à violência. O país é um dos mais violentos da América Central e do Continente.
O país tem 218 empresas que empregam 150 mil agentes de segurança privada. Existem 18.600 policiais e 15.500 soldados do exército.
A taxa de homicídios é 43,3 a cada 100 mil habitantes. É a segunda maior taxa da região, depois de El Salvador e Honduras (com 48,7 e 40,41, respectivamente).
Violência crescente é a causa da desregulamentação e da falta de controle sobre as empresas privadas que prestam serviços de segurança.
As empresas de segurança privada, com mais de 100 mil pessoas contratadas, podem faturar em torno de dez bilhões de quetzales (moeda do país).
HONDURAS
São 60 mil seguranças privados em Honduras, segundo a unidade que controla as empresas de segurança do governo (há 3 guardas privados para cada policial). Apenas 20 mil deles trabalham em empresas legalmente registradas. O restante opera ilegalmente.
O Ministério da Segurança conta com 16 mil policias e 14 mil soldados nas forças armadas.
Atualmente, a Unidade de Controle de Empresas de Segurança Privada tem apenas 170 empresas de segurança registradas que operam legalmente. Ao todo, há mais de 500 empresas no país.
Existem cerca de 170 empresas de segurança que operam legalmente constituídas e cerca de 350 empresas de segurança que não tenham concluído a sua passagem através da Secretaria de Segurança.
EL SALVADOR
El Salvador é o primeiro no ranking de homicídios nos países latino-americanos. Em 2006, foram 3.928 homicídios, uma taxa de cerca de 68 a cada 100 mil habitantes. Um índice “normal” fica entre 0 e 5 homicídios a cada 100 mil habitantes.
Quase 90% dos empregadores acreditam que o país é pouco ou nada seguro, de acordo com um estudo realizado pela Universidade Tecnológica Privada (UTEC).
Em 2006, os gastos com contratação de segurança privada subiram para 328,8 milhões de dólares, de acordo com um estudo realizado por peritos do Conselho Nacional de Segurança Pública. O negócio de segurança não se limita a contratação de guardas de segurança, mas também se estende para a instalação de alarmes, grades de janelas, pátios, construção de muros, instalação de cercas de arame farpado e eletrificado.
NICARÁGUA
A segurança privada tem crescido constantemente nos últimos quatro anos. Somente em 2008, abriram 22 novas empresas. Em 2005 foram apenas 10. Ao todo, operam 112 em todo o país.
O mercado da segurança privada não existia até os anos 90. Hoje, o número de pessoas nesse mercado é maior do que os policiais (10.500 soldados). A proporção é de 2 agentes privados para cada policial.
Shopping Centers, indústrias, residências e os bancos são os maiores consumidores.
COSTA RICA
A insegurança é o principal problema para 59% dos costarriquenhos. Estima-se que os custos da violência para o país sejam de aproximadamente 3,6% di PIB. No ano passado, o montante teria sido de 1.074 milhões de dólares.
Hoje, cerca de 13 mil policiais patrulham as ruas. Costa Rica é o país da América Central que faz menos investimentos em segurança. Enquanto no Panamá e Honduras gastam o equivalente a 1,6% do seu PIB na aplicação da lei, alcançando a ponta do ranking regional, Costa Rica está no extremo oposto, com apenas 0,5%. O setor privado corresponde a 0,7% do PIB.
Existem 740 empresas de segurança privada registradas no Ministério da Segurança Pública. Atualmente, a polícia estima que haja cerca de 300 empresas de segurança fora da lei.
VENEZUELA
De acordo com estatísticas de diversas ONG´s Caracas é a segunda cidade mais perigosa do mundo, abaixo de Ciudad Juarez, em frente de Bagdá.
Cada fim de semana em Caracas morre, por crimes, entre 30 a 50 pessoas. As principais vítimas da violência na capital venezuelana são as crianças mais pobres de 16 a 22 anos.
O Observatório Venezuelano de Violência (OVV) disse que o país é o segundo mais violento da região, depois de El Salvador. No ano passado houve 14.589 homicídios.
Empresas de segurança privada rejeitam a nova legislação que os controla. Afirmam que não é parte das agências de segurança pública pelo contrário, são entidades privadas de natureza comercial e objetos de contratos particulares.
Há mais de 400 empresas na Venezuela fora da lei. Com licenças para operar há mais de 10 mil.
PERU
Cerca de 50 mil pessoas trabalham na segurança do país.
Mais da metade de todos os trabalhadores (55,9%) estão concentrados na região de Lima. Ainda, há um número semelhante ou maior de trabalhadores informais no setor.
O aumento de trabalhadores no item segurança privada é por causa da falta de segurança no país. G4S e Prosegur estão entre as empresas com maior presença no mercado. Uma das características do setor no Peru são a rapidez e a informalidade na formação de algumas empresas, nas quais a preparação, logística e avaliação dos profissionais não são uma preocupação central.
BOLÍVIA
A insegurança civil tem crescido acentuadamente. Entre os assaltes estariam peruanos e colombianos.
Os pontos preferidos pelos assaltantes são as financeiras, casas de câmbio, comerciantes, os comerciantes de rua livre e joalheiros. Até recentemente, com a promulgação de uma lei, a Bolívia foi o único país das Américas, em que a segurança privada não tinha armas de fogo.
Existem 52 empresas de segurança privada, das quais apenas 20 são legais. Atualmente 11 empresas estão operando. O rápido crescimento da guarda privada é atribuído ao estabelecimento de grandes empresas. Há também muitas empresas, onde há uma alta rotatividade de pessoas que trabalham por períodos curtos.
EQUADOR
Desde julho de 2008 é válida a Lei de Vigilância e Segurança Privada do país. Existem cerca de 1.500 empresas e cerca de 80 mil agentes de segurança.
Segundo a nova lei, as funções de segurança privada serão implantadas dentro das empresas, indústrias e edifícios, devendo ainda ser utilizada apenas nos locais autorizados para armas.
A Câmara de Segurança Privada no Equador indica que de suas empresas afiliadas, 20% foram fechadas a nível nacional por vários motivos, um deles é a restrição ao porte de armas (uma arma para cada dois guardas no mesmo lugar). Com isso, os custos dos serviços aumentaram e os clientes têm diminuindo.
Em fevereiro de 2009, começaram a operar no país 1.091 empresas. Também há muitas empresas ilegais.
ARGENTINA
Em outubro de 2008, a Câmara de Vereadores de La Prata, formalizou o pedido para declarar estado de segurança de emergência na cidade, este último tornando-se mais seguro na Argentina.
A expansão do setor da segurança privada é tão importante que, no primeiro semestre de 2008, a demanda por itens eletrônicos registrou entre 7 e 10%.
O número de vigilantes no país cresceu 11% nos últimos dois anos. Em 2007, eram 135 mil. Em 2008, o número chegou a 142 mil e no ano seguinte foram registrados 150 mil. Em 2009 o setor movimentou 310,5 milhões de dólares por mês, 35% a mais do que em 2007.
As quatro principais causas do crescimento no setor foram: a presença de duas multinacionais, o crescimento econômico do país, a terceirização e o aumento da população urbana e da criminalidade.
PARAGUAI
Atualmente, o país discute um projeto de lei para regulamentar o setor. O texto define a segurança como uma atividade privada auxiliar ao serviço público.
Em 2009, a polícia autorizou 14 novas empresas de segurança. A demanda por guarda-costas aumentou desde que muitas pessoas apareceram em uma lista de potenciais vítimas de seqüestro, criada pelo Exército do Povo Paraguaio. Em 2008, a indústria da segurança privada cresceu 30%.
No 5º Encontro de Empresas de Segurança Privada no MERCOSUL (2008), realizado no país, representantes das empresas pediram ao Estado políticas e legislações de segurança claras, para se ter padrões de trabalho condizentes com as necessidades atuais para erradicar as empresas que trabalham na clandestinidade.
Em 2008, o setor de segurança empregava 7 mil pessoas treinadas, mas ainda há muito necessidade de pessoal capacitado. Além disso, a atividade informal é grande. Sistemas eletrônicos de segurança também têm crescido com a demanda de empresas, pessoas e veículos.
CHILE
Em 2008, o país teve 86.472 vítimas de assaltos violentos. O número de alarmes em residências dobrou em três anos.
O número estimado de vigilantes é de 120 mil. Cerca de 1.170 empresas estão registradas e prestam serviços principalmente na área industrial.
Quase metade do mercado é composto por empresas com menos de 100 vigilantes. Porém, cerca de 4% das empresas têm uma equipe com mais de três mil pessoas.
Há uma crescente presença de multinacionais: G4S: 8 mil e 400 guardas/ Securitas: mais de 3 mil pessoas / Prosegur: cerca de 3 mil guardas / Securicorp: cerca de 1.800 guardas.
URUGUAI
Especialistas dizem que no Uruguai o crime é uma realidade crescente. A tecnologia tem sido aliada ao crime.
A crise social tem desempenhado um papel importante nas mudanças que a segurança registra no Uruguai para cada cidadão. Ao mesmo tempo, a indústria da segurança privada tem crescido.
Um dos pontos fracos do setor é a formação inadequada dos profissionais que realizam os trabalhos de segurança privada.
Várias multinacionais operam no mercado. Entre elas, a G4S se destaca.
Matéria: Revista Vigilante em Foco 2010
Publicado: http://segurancaprivadadobrasil.blogspot.com/
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